Aos poucos, muitas das pessoas que iniciaram juntamente comigo esta aventura na blogosfera, vão-se despedindo. É com pena e nostalgia que digo adeus ao Post Scriptum, aos Velhos Monólogos, ao Sonhos e à Roda dos Ventos. Com o que neles está escrito, e fundamentalmente com as pessoas que os escreveram, aprendi e cresci muito. Foram talvez das pessoas que mais importância e impacto tiveram no meu crescimento. Crescimento salvo seja, todos os dias crescemos.. e a mim ainda muito me falta crescer.
Por isso, à Maria João, à Mimi, à Rita e à Guida, quer seja definitivo ou não o vosso adeus ao mundo dos blogs, deixo-vos o meu apreço e o meu agradecimento pelas leituras que me proporcionaram. Todas, sem excepção, através dos vossos escritos e da vossa presença (agora cada vez menos frequente...), fizeram de mim uma pessoa melhor.
Obrigado e até sempre. Vemo-nos por aí, entre rodinhas e lágrimas.
Quanto ao meu espaçozito, cada vez o sinto menos presente. Às vezes, já nem de mês em mês escrevo... não vou acabar com ele, porque isso seria acabar com uma parte de mim.. vou sim continuar a escrever, com tanta ou mais frequência com que tenho escrito... pelo menos, prometo tentar.
A todos os que me lêem, comentam e me procuram, o meu sincero obrigado.
Nunca é de repente
Fogachos acumulados.. e despejados neste bocadinho de mim.
Sábado, Julho 02, 2005
Quarta-feira, Maio 04, 2005
Queria dizer-te que irei estar sempre aqui à tua espera. Queria dizer-te que te quero, que quanto mais tempo não te vejo mais saudades tenho da escuridão dos teus olhos, do moreno da tua pele, da inocência do teu sorriso.. Queria dizer que cada vez que vejo uma fotografia tua daquela semana, da nossa semana, fico arrepiado..
Mas não te vou dizer nada disto.
Vou antes dizer, para mim próprio, que me marcaste. Mas só isso. Uma marca bem profunda. Fico feliz só pelo facto de seres isso mesmo: uma marca.
E agradeço-te por isso.
Terça-feira, Abril 05, 2005
Quando terminamos uma relação duradoura e séria quanto baste, pelo menos quando somos nós que acabamos e falo por mim, sinto-me de certa forma aliviado. Penso naquele momento como é bom estar 'livre' e como tinha saudades dessa sensação.
Mas passados uns tempos, começa-se novamente a sentir falta daquele bichinho do amor. Daquele dia-dia a dois, da cumplicidade, dos olhares apaixonados, dos risos desconcertantes, enfim, de paixão.
Desta vez foi diferente.
Se não fosses tu, se não fosse a tua presença, o odor da tua pele torrada, seria-me difícil sentir saudades de qualquer tipo de paixão. Porque custou-me terminar a minha última relação e não pensava, até hoje, que fosse possível viver algo com alguém tão cedo. Mas tu contrariaste isso. Não o fizeste voluntariamente, o que me atrai ainda mais. Pelo contrário, foi nesse teu jeito como que inconsciente e involuntário que me fizeste perder no escuro dos teus olhos, na simplicidade das tuas palavras, nos teus sorrisos de orelha a orelha, nos teus risos contagiantes. E talvez nem saibas porquê nem como o fizeste. Não interessa. Fizeste.
Sempre me senti um privilegiado em relação ao amor. Nunca serei um garanhão; não o quero ser. Sempre tive quem amei. Sempre fui amado por quem amei.
Mas tu não me amas. E pela primeira vez, confronto-me com uma situação não correspondida. Pode soar a algo presunçoso, mas não sei lidar bem com esta situação. E não sei lidar com ela porque é contigo que não tenho o que quero.
Sinto-me quando era mais criança e dizia que se a rapariga x soubesse o quanto eu gostava dela, esqueceria tudo e viria a correr para os meus braços. De facto, se soubesses o quanto dava por um beijo teu, um simples beijo, talvez as coisas fossem diferentes. Ou se soubesses a maneira como te quero, como te amo, como penso todos os minutos no que poderíamos ser e os planos que imagino para a nossa vida a dois também as coisas pudessem ser diferentes, quem sabe, para melhor. Mas não são. E até continuarem assim, resta-me continuar a deliciar-me com a tua maneira de ser, com esse teu jeito tão peculiar de me deixares mais contente que uma criança.
Não há dia que adormeça sem antes suspirar longamente pelos teus cabelos, pelas tuas mãos, pelos beijinhos que me deste no pescoço naquela noite. Esses beijos.. quando já estava um pouco mais ciente de que nada se poderia passar entre nós, lembrei-me desses beijos. E aí apercebi-me que não vale a pena tentar esquecer-te assim, à força. Porquê? Para quê? Certamente que não irei ficar toda uma vida à tua espera, mas porquê desligar-me de ti? Não quero, não consigo..
Sugeriste-me entre um sorriso terno que fôssemos o que tínhamos sido até então: amigos. Dei uma gargalhada. Porquê que não havíamos de ser amigos? Se tínhamos sido até ali, nada iria mudar ess situação. Falei-te de amor. Disse-te o que agora escrevo. Respondeste com um sorriso e deslizaste a tua mão pelo meu rosto.
Tens outra pessoa. Respeito. Desejo-te as maiores felicidades. Congratulo essa pessoa por ter o privilégio em ter-te, em poder abraçar-te todos os dias.
Eu não posso. Talvez um dia, quem sabe.
Quarta-feira, Fevereiro 16, 2005
Estou revoltado.
Quando nos dias que correm se apela à luta contra o racismo e se afirma convictamente Todos diferentes, todos iguais, há cenas, como a que eu presenciei, que me deixam, mais do que indignado, deixam-me triste.
Uma discoteca. Pessoas a entrarem e a saírem. Tudo sem grandes problemas. De repente chega um grupo de cinco indivíduos de cor.
Boa noite...
Boa noite, o consumo mínimo é de 50 euros.
50?
Sim, é uma festa privada. Lamento.
E o que mais me impressionou foi o facto do porteiro não ter tido sequer coragem de olhar o homem na cara.
Numa sociedade que se auto-proclama livre, igualitária e multi-racial, cenas como esta são tristes.
Se antes já duvidava da persistência ou não deste estúpido "problema", agora não tenho dúvidas: ainda muito nos falta para vivermos, de facto, todos diferentes, todos iguais.
É pena.
Terça-feira, Fevereiro 01, 2005
Desta vez não resisti.
Desta vez foste mais forte do que eu. Desta vez não soube (nem consegui) resistir ao teu odor, aos teus lábios, ao teu corpo onde sempre me encaixei como um puzzle. E, mais uma vez, como tantas outras, acabámos numa noite de paixão e magia naquele espaço que tantas vezes fora nosso.. só nosso.
Voltámos a ser as crianças apaixonadas que éramos, ou que secalhar sempre fomos, perdidas em olhares cúmplices e beijos demorados. Os nossos beijos..! Já tinha saudades, confesso.
Olhei-te mais uma vez e fui-me embora.
Posso ficar contigo?
Podes...
Muito tempo?
Não quero falar disso agora.
Não sei se voltaremos àquele tórrido chão. Não sei o que somos, nem mesmo o que possamos vir a ser, novamente.
Mas foi bom ter-te outra vez.
Foi perfeito.
Domingo, Janeiro 23, 2005
Sucker love is heaven sent.
You pucker up, our passion's spent.
My hearts a tart, your body's rent.
My body's broken, yours is bent.
Carve your name into my arm.
Instead of stressed, I lie here charmed.
Cuz there's nothing else to do,
Every me and every you.
Sucker love, a box I choose.
No other box I choose to use.
Another love I would abuse,
No circumstances could excuse.
In the shape of things to come.
Too much poison come undone.
Cuz there's nothing else to do,
Every me and every you, Every me and every you...
Placebo - Every me and every you
Terça-feira, Janeiro 18, 2005
Sei que podíamos (e devíamos) ter dado muito mais um ao outro.
Mas não demos.
Não vale a pena dizer o que não demos. Não demos, ponto final. E a nossa história ficou por aqui. A nossa história terminou.
Agradecer-te por me teres tornado uma pessoa melhor, já o fiz. Então?
A verdade é que não estou transtornado nem muito menos down. E isso só me faz feliz: apercebo-me que para além do nosso amor, construímos e consolidámos uma grande amizade. E é a melhor coisa que retiro da nossa relação. A amizade inquebrável, a cumplicidade fantástica.
Eternos amantes, assim nos auto-intitulámos um dia, numa conversa bem disposta. Eternos amigos, acrescentaria.
Até já. (?)
